sexta-feira, 17 de abril de 2009

Ando (ar)riscando uns versos

Estou participando de uma Academia de Ginástica... Poética! quem diria!
Nunca dei de escrever versos, mas sempre gostei de lê-los!
E o mestre incentiva a gente: Luiz Raul Machado, que dispensa apresentações,
traz cada coisa bonita pra nossa inspiração!
E eu sigo lá, todos os sábados, atrevida!
Arriscando escrever e, sem vergonha!, mostrar ;)


Minhas raízes

Derramo por terra raízes
sob o solo onde caí.
Raízes que, fundas, perfuram
e procuram, e procuram
o alimento, o sustento
Criando garras
me agarro
ao lugar onde nasci.

Broto tímida, me ergo aos poucos.
Busco a luz, preciso de ar.
Abro meus braços em folhas,
balanço ao vento,
sonho voar.

Minhas raízes me prendem,
não posso esquecer o que sou.
Então lanço meus dedos em ramos,
para o alto, para a imensidão.
O mais distante possível
dos pés que mantenho no chão.

A chuva, sem dó, chicoteia.
Lava minh’alma sem perdão.
Desabrocho e, mesmo em dor,
sou fértil, fecunda
e dou crias em flor.

Flores nascidas para o mundo,
que colorem, perfumam
e, inevitavelmente, se vão.
Levadas pelo vento,
murchas pelo tempo,
caídas pelo chão.

Criando suas próprias raízes,
cumprindo a sina do ser:
resistir ao duro inverno
e a seca do verão,
pra brotar primavera
naturalmente,
nunca em vão.


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